A indústria de Mato Grosso do Sul vive um momento de forte desempenho nas exportações, produção estável e expectativa de aumento da demanda, mas o avanço do setor ainda não se traduz no mesmo ritmo de geração de empregos. Enquanto as vendas externas de produtos industrializados alcançaram US$ 5,39 bilhões entre janeiro e agosto, recorde para o período, o saldo de empregos formais da atividade industrial caiu de 5.609 vagas para 2.536 vagas na comparação com o mesmo intervalo de 2025, uma redução de 54,8%.
Os dados do Novo Caged mostram que a indústria teve 47.666 admissões e 45.130 desligamentos no acumulado deste ano até agosto, resultando no saldo positivo de 2.536 postos. No mesmo intervalo do ano passado, o saldo havia sido de 5.609 vagas.
O movimento contrasta com os indicadores de atividade. De acordo com a Sondagem Industrial do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), 78% das empresas consultadas mantiveram ou ampliaram a produção entre julho e agosto. Do total, 53% mantiveram o nível de produção e 25% registraram crescimento.
O cenário, portanto, não é de retração da indústria, mas de crescimento com menor expansão do emprego formal, em um setor que enfrenta, ao mesmo tempo, dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados.
EXPORTAÇÕES
As exportações de produtos industriais de Mato Grosso do Sul somaram US$ 5,390 bilhões de janeiro a agosto, alta de 5% em relação aos US$ 5,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025. É o maior valor já registrado para os oito primeiros meses de um ano.
Somente em agosto, os produtos industrializados responderam por US$ 704,4 milhões das vendas externas, crescimento de 3% sobre agosto do ano passado e também recorde para o mês. A indústria representou 72% de tudo o que Mato Grosso do Sul exportou em agosto e 66% no acumulado do ano.
A pauta é concentrada em poucos segmentos. Celulose e papel lideram, com US$ 2,15 bilhões e 40% das receitas industriais. Na sequência aparece o complexo frigorífico, com US$ 1,89 bilhão e participação de 35%.
Somados, os dois segmentos respondem por 75% de toda a receita de exportação industrial do Estado.
Na sequência aparecem óleos vegetais e produtos de sua extração, com US$ 580,5 milhões; açúcar e álcool, com US$ 272,4 milhões; extrativo mineral, com US$ 159,5 milhões; e siderurgia, metalurgia e metalmecânica, com US$ 125,3 milhões.
A China lidera como principal mercado, até agosto, os chineses compraram US$ 1,83 bilhão em produtos industrializados de MS. Os Estados Unidos aparecem em segundo, com US$ 499,6 milhões, seguidos por Países Baixos, com US$ 333,4 milhões.
PRODUÇÃO
O bom desempenho externo ocorre em paralelo a uma atividade industrial que, segundo a sondagem da Fiems, permanece relativamente estável. Em agosto, as indústrias pesquisadas utilizaram, em média, 71% da capacidade instalada, enquanto 68% dos empresários disseram operar em nível igual ou superior ao considerado habitual para o período.
A pesquisa ouviu 60 empresas de pequeno, médio e grande porte, de segmentos como alimentos, biocombustíveis, metalurgia, produtos químicos, máquinas e equipamentos, farmacêutico, madeira e mineração.
O resultado mais importante para os próximos meses está nas expectativas, 41% das empresas esperam aumento da demanda por seus produtos nos próximos seis meses. Outros 52% projetam estabilidade e apenas 7% preveem retração.
A perspectiva de maior demanda também aparece na intenção de compras 38% das indústrias pretendem aumentar as aquisições de matérias-primas, enquanto metade deve manter o volume atual.
O índice de intenção de investimento ficou em 54,9 pontos em setembro, mesmo após recuo no mês. Além disso, 48% das empresas afirmaram que pretendem realizar algum investimento no próximo semestre, seja para ampliar capacidade, modernizar processos ou aumentar a competitividade.
EMPREGO
No mercado de trabalho que aparece a principal diferença entre o desempenho da atividade e sua capacidade de gerar novas vagas. Embora o saldo industrial continue positivo, as 2.536 vagas abertas até agosto representam menos da metade do resultado de 2025, quando haviam sido criados 5.609 postos no mesmo intervalo.
A redução ocorre em um cenário em que a indústria não sinaliza intenção de reduzir seus quadros de forma generalizada. A Sondagem Industrial mostra que 91% das empresas pretendem manter ou ampliar o número de trabalhadores nos próximos seis meses.
Do total, 72% devem preservar o quadro atual e 19% projetam novas contratações. Apenas 9% esperam redução no número de empregados.
Ou seja, a indústria não está apontando para uma onda de demissões. O que aparece nos dados é uma redução do ritmo de abertura de novas vagas, apesar da manutenção da atividade.
O paradoxo fica ainda mais evidente quando confrontado com a estimativa da Fiems sobre a falta de mão de obra.
O presidente da entidade, Sérgio Longen, já afirmou que existem mais de 25 mil vagas abertas na indústria de MS que não conseguem ser preenchidas. Em manifestação anterior, ele relacionou o deficit à expansão das fábricas e ao aumento da demanda por trabalhadores.
SÚZAN BENITES – CORREIO DO ESTADO/FOTO: DIVULGAÇÃO FIEMS






