17/08/2026 09:22

Com sete lojas fechadas em MS, Casas Bahia pede recuperação judicial

Com R$ 17,3 bilhões em dívidas, o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial no fim da noite deste domingo (16). A empresa fechou 298 lojas em todo o Brasil, sete delas em Mato Grosso do Sul.

Funcionários da gigante varejista foram surpreendidos com o anúncio de demissão na sexta-feira (14). As lojas fechadas no interior do Estado estão localizadas em Dourados (duas unidades), Três Lagoas, Naviraí, Ponta Porã e Nova Andradina. Em Campo Grande, apenas a loja que fica em um shopping na região do bairro Nova Lima fechou.

O pedido engloba dez empresas da holding, como a dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira. O grupo informa a demissão de cerca de 3 mil dos 30,1 mil funcionários e o fechamento de quase 300 das mais de 700 lojas físicas abertas, conforme a Folha de S. Paulo.

O grupo diz que a crise tem relação com os investimentos em tecnologia, logística e lojas digitais iniciados em 2019, junto ao choque da pandemia, que paralisou lojas físicas. O salto da taxa Selic também é citado como fator para desorganização financeira.

‘Todo mundo desligado’

Um trabalhador demitido da loja em Campo Grande diz que o anúncio de desligamento de todos os funcionários foi repentino e inesperado. Ele conta que quinta-feira (13) foi um dia normal de trabalho, mas, às 20h, receberam uma mensagem no grupo de funcionários marcando uma reunião para as 8h de sexta-feira (14).

“Chegou o dia e eles falaram que ia ter corte em todo o Brasil, só que não sabiam quem seria desligado”, explica. “Eles imprimiram papéis e lá estava o nome das pessoas demitidas. Foi saindo por lote. Na minha loja, todo mundo acabou desligado”, lamenta o rapaz, que trabalhou por dois anos na Casas Bahia.

Prejuízo de R$ 10,1 bilhões

A Casas Bahia informou que teve prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano, como justificativa para o fechamento de 298 lojas. 

Este é o oitavo trimestre seguido de prejuízos e já levou a companhia a reduzir o tamanho da operação, com fechamento de lojas e revisão do quadro de funcionários.

Segundo a empresa, o movimento é impulsionado por um “ambiente macroeconômico desafiador para o varejo brasileiro de bens duráveis, caracterizado por elevado custo de crédito e pressão sobre a capacidade financeira dos consumidores”.

Murilo Medeiros – Midiamax/Foto:  Madu Livramento