11/03/2026 15:42

Conflito no Oriente Médio deve gerar inflação de custos no agro, avalia Famasul

Os impactos do conflito no Oriente Médio tendem a gerar inflação de custos para o agronegócio de Mato Grosso do Sul, com possíveis impactos na produção e, posteriormente, nos preços de alimentos e outros produtos do campo. A avaliação é do presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Marcelo Bertoni.

Segundo a entidade, um dos principais pontos de preocupação é o óleo diesel, cujo preço acompanha a valorização do petróleo no mercado internacional. O combustível é essencial para as operações mecanizadas no campo, como plantio e colheita, além de representar parte importante dos custos logísticos para transporte de insumos e da produção agropecuária.

Outro fator de atenção é o mercado de fertilizantes, já que o Oriente Médio tem papel estratégico no comércio global desses insumos, especialmente da ureia. Em 2025, cerca de 35% da ureia importada pelo Brasil teve origem em países da região, o que aumenta a sensibilidade do mercado a eventuais instabilidades geopolíticas.

 
De acordo com a Famasul, uma possível escalada do conflito também pode afetar rotas marítimas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, pressionando os custos de frete e seguro internacional e encarecendo a chegada desses insumos ao Brasil.

A entidade ressalta ainda que a conjuntura pode atingir a competitividade de produtos exportados por Mato Grosso do Sul. No ano passado, o Oriente Médio foi destino de 44% das exportações de milho do Estado e de 17% da carne de frango, demonstrando a importância da região tanto como fornecedora de insumos quanto como mercado consumidor.

No curto prazo, parte dos fertilizantes destinados à safra atual já foi adquirida pelos produtores, o que reduz impactos imediatos. No entanto, cresce a preocupação com a safra 2026/2027, cujo planejamento e compra de insumos ainda estão em andamento.

A situação ocorre em um momento considerado delicado para o setor. Segundo a Famasul, o produtor rural enfrenta juros elevados, aumento do endividamento e margens de rentabilidade mais apertadas, o que pode limitar investimentos e até influenciar a intenção de plantio nos próximos ciclos.

Diante desse cenário, o setor produtivo acompanha os desdobramentos do conflito. A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) já manifestou preocupação com a escalada de preços e defendeu medidas para mitigar custos, como a ampliação da mistura de biodiesel ao diesel, alternativa que pode ajudar a reduzir a pressão sobre o preço do combustível utilizado nas atividades do campo.

Oferta de diesel já preocupa no Sul
A ANP informou que monitora o abastecimento de diesel no país após relatos de produtores rurais do Rio Grande do Sul sobre dificuldades na compra do combustível. A preocupação foi levantada pela Federação da Agricultura do estado, que teme prejuízos à colheita da safra de verão.

Segundo a agência, o estado possui estoques suficientes e a produção e entrega seguem em ritmo regular. Mesmo assim, a ANP realiza verificações e notificará distribuidoras para prestar esclarecimentos sobre estoques e pedidos. A agência também afirmou que investigará possíveis aumentos injustificados de preços e adotará medidas para garantir a oferta normal de diesel.

Osvaldo Sato, MidiamaxFoto: imagem ilustrativa/Wenderson Araujo, Trilux