03/09/2026 01:03

Itália amplia interesse por MS e celulose puxa aproximação com setor industrial

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, recebeu nesta terça-feira (1º), no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande, o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, e o cônsul-geral da Itália em São Paulo, Mauro Campanella, para discutir oportunidades de negócios, investimentos e cooperação entre Mato Grosso do Sul e o país europeu.

A Itália já é o quarto maior comprador da indústria sul-mato-grossense. Entre janeiro e julho de 2026, foram US$ 260 milhões em compras, alta de 8%. Em 2025, o país havia adquirido US$ 410 milhões em produtos industriais do Estado, crescimento de 47%, com a celulose como principal destaque: a Itália foi o segundo maior mercado do produto no ano passado, com US$ 317 milhões em compras.

O que o Estado apresentou

Durante o encontro, Longen mostrou um panorama do momento econômico de MS e as oportunidades abertas a investidores, com o crescimento da atividade e a consolidação de novos setores industriais. Ele também citou a posição estratégica do Estado, que reúne ativos ambientais como o Pantanal e tem potencial para avançar na indústria do turismo.

“Mato Grosso do Sul é um Estado diferenciado, que vem crescendo e apresentando números importantes. Temos oportunidades de investimentos em diferentes áreas e uma indústria que vem se consolidando, especialmente com a expansão da cadeia de celulose. Ao mesmo tempo, temos um potencial muito grande no turismo e na valorização dos nossos biomas. É um Estado que ainda tem muito espaço para crescer e se desenvolver”, afirmou Longen.

O que a Itália ofereceu
O encontro na Casa da Indústria reuniu a comitiva italiana e dirigentes do Sistema Fiems. Foto: Divulgação

O embaixador Alessandro Cortese falou da relação histórica entre os dois países e da proximidade cultural entre brasileiros e italianos. “Atualmente, mais de 1,1 mil empresas italianas estão presentes no Brasil, e há espaço para ampliar a cooperação em áreas nas quais os dois países possuem competências complementares. Enquanto o Brasil tem forte presença internacional em commodities, a Itália se destaca em setores como indústria mecânica, máquinas, equipamentos e alta tecnologia”, disse.

Para o presidente da Fecomércio/MS, Juliano Wertheimer, a aproximação pode gerar oportunidades também para o setor de serviços e para o comércio exterior do Estado. “Precisamos trabalhar de forma permanente a internacionalização das empresas de Mato Grosso do Sul, identificando oportunidades, conectando empresários e criando caminhos para que nossos produtos e serviços alcancem novos mercados”, afirmou.

Semana italiana em Campo Grande

A passagem da comitiva pela Casa da Indústria se soma a uma sequência de aproximações internacionais do Estado. Na semana passada, o prefeito de Turim esteve em Campo Grande para os 24 anos do acordo entre as duas cidades, e lideranças do agro sul-mato-grossense se reuniram em Brasília com embaixadores de China, Ruanda e Vietnã. Com a Itália, a ponte agora passa pela indústria, e o produto que puxa a fila é a celulose, justamente o setor em plena expansão no leste do Estado.

Entenda

A Itália e a indústria de MS, em números

O encontro

Nesta terça-feira (1º), na Casa da Indústria, em Campo Grande: o presidente da Fiems, Sérgio Longen, recebeu o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, e o cônsul-geral em São Paulo, Mauro Campanella, empossado em julho

4º comprador

De janeiro a julho de 2026, a Itália foi o quarto maior comprador da indústria sul-mato-grossense: US$ 260 milhões, alta de 8%, segundo o Observatório da Indústria da Fiems

US$ 410 milhões

Foi quanto a Itália comprou em produtos industriais de MS em 2025, crescimento de 47% sobre o ano anterior

Celulose

É o principal produto da relação: a Itália foi o segundo maior mercado da celulose de MS em 2025, com US$ 317 milhões em compras

+ O que cada lado colocou na mesa

  • Longen (Fiems): expansão da cadeia de celulose, potencial do turismo e valorização dos biomas, com o Pantanal como ativo do Estado
  • Cortese (Itália): mais de 1,1 mil empresas italianas no Brasil e competências complementares, com a Itália forte em mecânica, máquinas, equipamentos e alta tecnologia
  • Wertheimer (Fecomércio-MS): internacionalização permanente das empresas do Estado, com oportunidades também para serviços e comércio exterior
  • Mangialardo (Senai): agenda ambiental, com o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e a economia de baixo carbono

Números do comércio exterior conforme o Observatório da Indústria, da Fiems, apresentados no encontro; declarações feitas durante a reunião desta terça-feira (1º) na Casa da Indústria.

A Crítica – Foto: Divulgação