27/06/2026 14:11

MS acelera produção de suínos para ampliar as exportações

A estratégia de Mato Grosso do Sul de deixar de ser apenas um fornecedor de milho e soja para se consolidar como exportador de proteína animal está impulsionando um novo ciclo de expansão da suinocultura.

Com crescimento de quase 20% na produção de animais para abate neste ano, investimentos públicos recorde e previsão de ampliar em 36% o plantel de matrizes até 2027, o Estado aposta na cadeia suinícola para agregar valor à produção agrícola, gerar empregos e fortalecer sua economia.

Dados do Boletim Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul) mostram que, entre janeiro e maio deste ano, MS produziu 1,64 milhão de suínos destinados ao abate, alta de 19,4% em relação ao mesmo período de 2025.

No mercado externo, as exportações de carne suína in natura renderam US$ 22,5 milhões, crescimento de 57,6% na receita e de 60,7% no volume embarcado.

Segundo o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Rogério Beretta, a expansão faz parte da política estadual de industrialização da produção agropecuária.

“Hoje a gente ainda não utiliza toda a nossa produção de milho e soja, a gente ainda exporta. Então, é de interesse do Estado, dentro da política de agregação de valor, levar indústrias para transformar o nosso milho em carne e aí sim exportarmos carne com valor agregado, gerando emprego dentro do nosso estado”, afirmou.

A evolução da atividade confirma essa estratégia. Há alguns anos, Mato Grosso do Sul tinha entre 70 mil e 80 mil matrizes.

Atualmente, o Estado contabiliza mais de 130 mil matrizes, enquanto cerca de 111,5 mil estão cadastradas no programa Leitão Vida. A meta do governo é de atingir 150 mil matrizes até 2027.

Beretta afirma que o crescimento ocorre de forma planejada e sustentado pela elevada tecnificação da atividade.

“A suinocultura do Mato Grosso do Sul cresceu muito. Nossa previsão para 2027 é chegar a 150 mil matrizes. É um ritmo de crescimento que a gente entende como sustentável. O setor tem muita tecnologia envolvida e coloca o Mato Grosso do Sul em um patamar altíssimo de produção, agregação de valor e associativismo”.

INCENTIVOS
Um dos principais instrumentos para estimular a expansão da cadeia é o programa Leitão Vida, que remunera produtores conforme indicadores de sustentabilidade, biossegurança, bem-estar animal, sanidade, gestão, desempenho zootécnico e cumprimento da legislação trabalhista e ambiental.

Somente neste ano, mais de R$ 50 milhões já foram concedidos aos produtores, enquanto no ano passado os incentivos somaram R$ 75 milhões. A expectativa é de fechar este ano com aproximadamente
R$ 85 milhões em benefícios.

“Os produtores recebem esses recursos diretamente das indústrias. É uma forma que o Estado encontrou para incentivar uma produção cada vez mais tecnificada e sustentável”, explicou Beretta.

O programa foi modernizado em 2025 e atualmente conta com 272 estabelecimentos cadastrados e auditados em MS, distribuídos principalmente nos polos de São Gabriel do Oeste e da região de Dourados.

EXPORTAÇÕES
Apesar do avanço das exportações, o mercado interno vive um momento de acomodação. Em maio, o preço do suíno vivo ficou em R$ 5,70 por quilo, queda de 3,4% em relação a abril e de 15,6% na comparação anual, reflexo do aumento da oferta.

De acordo com a técnica da Famasul Eliamar Oliveira, o crescimento da produção pressiona temporariamente as cotações, mas o mercado internacional vem absorvendo parte desse excedente.

As Filipinas seguem como principal destino da carne suína sul-mato-grossense, seguidas por Argentina e Hong Kong. Entre os destaques está o aumento superior a 300% das compras argentinas.

A expectativa é de que o período de inverno fortaleça também o consumo doméstico, contribuindo para a recuperação dos preços pagos aos produtores.

Além da produção de carne, o governo aposta na transformação dos resíduos da atividade em fonte de energia e combustível renovável.

Segundo Beretta, aquilo que antes era tratado apenas como passivo ambiental se tornou uma oportunidade econômica.

“Os dejetos dos suínos hoje já geram biogás para produção de energia elétrica. Em Mato Grosso do Sul, essa geração é suficiente para abastecer uma cidade de aproximadamente 25 mil habitantes. Agora estamos avançando também para a produção de biometano, que poderá abastecer caminhões, máquinas e veículos”.

Na avaliação do secretário, a expansão dessa tecnologia deverá contribuir para reduzir custos de produção e ajudar MS a alcançar a meta de neutralidade das emissões de carbono até 2030, consolidando a suinocultura como uma das cadeias estratégicas do agronegócio estadual.

SÚZAN BENITES – CORREIO DO ESTADO/FOTO: REPRODUÇÃO