22/09/2026 15:21

Novas cultivares elevam produtividade do algodão e reforçam proteção da lavoura

Duas novas cultivares de algodão chegam ao mercado com a promessa de enfrentar alguns dos principais inimigos da cultura sem abrir mão da produtividade. Desenvolvidas pela Embrapa em parceria com a empresa Lyntera, a BRS 510 B2RF e a BRS 810 B3RF reúnem resistência a doenças, proteção contra lagartas e tolerância a herbicidas.

Para Mato Grosso do Sul, a principal novidade é a BRS 510 B2RF. A cultivar é indicada para áreas comerciais de alto rendimento no Estado, inclusive propriedades com histórico de nematoides e doenças que atacam as raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.

Nos testes, a BRS 510 alcançou produtividade média de cerca de 7,6 toneladas por hectare na primeira safra e superou 5,3 toneladas por hectare na segunda. Além de Mato Grosso do Sul, o cultivo é recomendado para Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Tocantins e Paraná.

A cultivar apresenta resistência ao nematoide das galhas, capaz de provocar perdas de até 50% na lavoura, e ao nematoide reniforme, cujos prejuízos podem ultrapassar 60% em áreas com alta infestação. Esses organismos microscópicos parasitam as raízes e estão entre os problemas fitossanitários mais difíceis e caros de controlar na cotonicultura.

Outro avanço está na resistência à mancha de ramulária, doença presente nas principais regiões produtoras do País. Em condições normais, ela pode reduzir a produtividade entre 25% e 35%. Nos casos mais graves, as perdas podem passar de 70%.

A BRS 510 também é resistente à bacteriose e à doença-azul. Segundo a Embrapa, o conjunto de características pode reduzir riscos de produção e diminuir a necessidade de aplicações de defensivos, especialmente em áreas onde doenças e nematoides já se tornaram problemas recorrentes.

A segunda novidade, a BRS 810 B3RF, combina estabilidade produtiva com qualidade de fibra acima das exigências da indústria têxtil. A produtividade média chega a aproximadamente 7,3 toneladas por hectare na primeira safra e a 5,2 toneladas por hectare na segunda.

As duas cultivares são transgênicas e incorporam tecnologias de proteção contra as principais lagartas do algodoeiro, além de tolerância ao herbicida glifosato. A BRS 810 possui um mecanismo adicional de ação contra as lagartas, ampliando a proteção da planta.

A resistência genética, porém, não elimina a necessidade de manejo adequado. A própria Embrapa recomenda a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, o uso responsável de produtos químicos ou biológicos e a limpeza de máquinas e equipamentos para impedir que nematoides sejam levados de uma área para outra.

A mancha de ramulária pode exigir de oito a dez aplicações de fungicidas durante uma única safra. Por isso, cultivares resistentes representam não apenas maior segurança produtiva, mas a possibilidade de reduzir custos e tornar o controle das doenças mais eficiente.

As sementes já estão disponíveis para comercialização. Para o produtor, a escolha da cultivar deve considerar o histórico da propriedade, as condições do solo, a presença de doenças e nematoides e a época de plantio. Mais do que produzir muito, o desafio é manter a lavoura saudável até a colheita — e é justamente nesse ponto que as novas variedades pretendem fazer diferença.

José Cândido – Campo Grande News/Foto: Edna Santos