28/09/2026 16:56

Argentina projeta receita de US$ 40 bilhões com agronegócio em 2027, a segunda maior da história

A agricultura da Argentina caminha para registrar o segundo melhor resultado financeiro de sua história em 2027. A entrada de dólares gerada pelos embarques de grãos e derivados deve atingir a marca de US$ 40 bilhões (cerca de R$ 207,67 bilhões), ficando atrás somente do recorde alcançado em 2022.

O diagnóstico consta em relatório técnico divulgado nesta sexta-feira (25) pela Bolsa de Comércio de Rosário (BCR).

O avanço das exportações agrícolas argentinas representa o principal motor de captação de moeda estrangeira para o país vizinho. Os recursos são estratégicos para recompor o caixa do banco central, conter pressões cambiais sobre o peso e equilibrar as contas públicas.

Para o ano de 2026, a projeção da entidade aponta uma entrada de US$ 35,2 bilhões (R$ 182,75 bilhões).

Três fatores sustentam o cenário favorável: volume de produção em alta, cotações atrativas no mercado exterior e problemas logísticos em países concorrentes. A BCR prevê que a safra de grãos 2026/27 alcance 156 milhões de toneladas métricas, consolidando-se como uma das maiores da trajetória produtiva do país.

Ao mesmo tempo, as cotações internacionais de soja, milho e trigo seguem valorizadas em virtude dos entraves no escoamento de safras da Rússia e da Ucrânia, provocados pela instabilidade no Mar Negro.

Com a menor oferta do Leste Europeu no mercado global, importadores asiáticos — com destaque para a Indonésia — ampliaram as compras de produtos argentinos.

O aquecimento na ponta compradora já se reflete no ritmo das negociações: o milho argentino registrou vendas superiores a 1 milhão de toneladas semanais por quatro semanas consecutivas, enquanto os contratos futuros de trigo atingiram o pico mais alto para o período nos últimos cinco anos.

O bom desempenho do campo também deve repercutir na arrecadação estatal. Segundo o documento, as receitas fiscais obtidas por meio das tarifas sobre os embarques agrícolas têm previsão de alcançar US$ 5,48 bilhões (R$ 28,5 bilhões) em 2027 — expansão de 16% em relação aos níveis atuais —, compensando eventuais cortes programados nas alíquotas de tributação.

Fernando de Carvalho – RCN 67/Foto: Imagem ilustrativa/IA